Diretor da Orbis apresenta trabalho sobre eventos adversos em Tóquio, Japão

O projeto de pesquisa do Diretor da Orbis Engenharia Clínica, Ricardo Alcoforado Maranhão Sá, foi selecionado para participar do ISQua 33th International Conference – ISQua 2016, realizado em Tóquio, Japão, que este ano trouxe como temática “Change and Sustainability in Healthcare Quality: the Future Challenges”. Ricardo apresentou seu artigo com o tema “The Assessment of Adverse Events Related to MRI Equipment – A Case Study of Maude Database”. O estudo foi baseado na dissertação de mestrado do engenheiro na área de Saúde Pública, apresentada na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/FIOCRUZ). O trabalho levantou os eventos adversos relacionados ao uso do aparelho de Ressonância Magnética reportados nos sistemas de notificação.

 

A pesquisa foi realizada com base no Sistema de Notificação Americano – Manufacturer and User Facility Device Experience Database (MAUDE), desenvolvido pela Food and Drug Administration (FDA). No estudo foram encontrados 1.487 eventos adversos relacionados ao aparelho de ressonância magnética, entre 1º de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de 2013, na base do MAUDE. Ao classificar, segundo o desfecho, os 1.487 eventos, encontramos 12 eventos com desfecho “morte”, 774 eventos com desfecho “lesão”, 295 eventos com desfecho “mau funcionamento”, 349 relatos com desfecho “outros” e 57 não tiveram resposta em relação ao desfecho. A organização do congresso reiterou que “a quantidade de pesquisas recebidas nesta edição do congresso superou em muito as expectativas, deixando a escolha ainda mais difícil”.

 

Mesmo assim a pesquisa foi aceita com boa avaliação. Segundo Ricardo, a escolha revela que o estudo foi importante para ampliar o debate sobre a segurança no uso de aparelhos de ressonância magnética visando a compreensão dos riscos no uso de equipamentos ao diagnosticar os principais problemas de utilização e identificar as causas das mortes notificadas.

Ricardo Maranhão, da Orbis Engenharia Clínica, fala sobre incêndio em centro cirúrgico

Recentemente, foi divulgada pela imprensa americana uma notícia sobre um processo judicial contra o NYU Langone Medical Center, localizado em Nova Iorque, pela ocorrência de um evento adverso grave em dezembro de 2014: um paciente submetido a uma cirurgia teve queimaduras devido a um incêndio provocado na sala de operação.

“A existência de um ambiente rico em oxigênio e material inflamável, como gazes e lençóis, e a utilização de aparelhos capazes de fornecer ignição, como o bisturi elétrico, transformam a sala cirúrgica em um local com alto risco para a ocorrência de incêndios”, explica Ricardo Maranhão, engenheiro clínico da Secretaria de Saúde do Estado de Goiás.

Segundo Maranhão, artigos e políticas sobre prevenção de incêndio e queimaduras no centro cirúrgico, baseados em evidências, apontam que ocorrem cerca de 100 casos de incêndio em salas cirúrgicas nos Estados Unidos por ano. Este, porém, é um evento que pode ser evitado se for observada a presença dos três elementos que favorecem a combustão. “Por os centros cirúrgicos serem ambientes com alta concentração de oxigênio e material inflamável e por serem utilizados, durante o procedimento cirúrgico, aparelhos capazes de fornecer ignição, como bisturi elétrico, laser, desfibriladores e endoscópios, é imprescindível que protocolos de procedimentos sejam extremamente respeitados durante as cirurgias”, explica.

Incêndio no centro cirúrgico é um risco que pode ser evitado por meio de implementação de uma política de prevenção de incêndio e queimaduras em cirurgia. “Em relação ao caso divulgado pelo The Post, o relatório do Departamento de Saúde sobre aquele evento apontou falha de comunicação entre o cirurgião e o anestesista. É fundamental que haja treinamento e conscientização das equipes cirúrgicas para o risco de incêndio e queimaduras”, destaca Maranhão. O objetivo do treinamento é que todos tenham conhecimento sobre a composição dos materiais, a distância da fonte de oxigênio, o uso adequado dos antissépticos e as possíveis fontes de ignição.

O engenheiro defende que, além do treinamento das equipes para que as normas sejam implementadas e efetivas, a comunicação entre os profissionais de saúde faz parte das medidas preventivas. “Por exemplo, quando o cirurgião vai utilizar o bisturi elétrico, ele deve avisar a equipe presente antes de ligá-lo, para que o anestesista possa diminuir a oferta de oxigênio ao paciente e os demais profissionais de saúde possam retirar de perto das fagulhas do bisturi os materiais inflamáveis, como as gazes e compressas de álcool na pele do paciente”, detalha. “Para finalizar, é importante que o anestesista, ao reconhecer as possíveis fontes de ignição, saiba administrar de forma racional a oferta de oxigênio. Por isso, o treinamento e a comunicação entre os membros das equipes são fatores chave para o sucesso da prática das medidas descritas no protocolo”, afirma Ricardo Maranhão.